segunda-feira, 21 de maio de 2018

Parece que foi ontem


Juro que, até outro dia, o "rapagão" na ponta esquerda da imagem acima cabia direitinho no meu colo e me chamava de tia Sacha - o máximo de aproximação com a sonoridade de Márcia que ele conseguia emitir. A tia Sacha, por sua vez, achava o sobrinho o bebê mais fofo do mundo e sonhava em ter um igualzinho! 

Aí, veio minha sobrinha Lelê, a garotinha na foto (irmã do rapagão), que parecia uma bonequinha de porcelana, de pele alva e cabelo pretinho, além de um par de perninhas com muitas dobrinhas - algo de enlouquecer qualquer aspirante à mamãe! 

Finalmente, veio o meu rebento (na foto, à direita), um bebê redonducho, comilão e "coliquento" (aquele que sofre com cólicas!). Nesse período, por esgotamento físico, eu torcia para o tempo passar rápido e superarmos a fase bebê. 

E o tempo passou. Hoje, o "rapagão" ameaça me passar na altura a qualquer momento, elabora umas perguntas cabulosas e joga uns games que eu não entendo. Lelê, cada dia mais mocinha, já escreve a própria biografia e vive se gabando porque o meu filho baba por ela, baby! E falando nele, atualmente, meu filhote detesta ser chamado de bebê, afirma com convicção que será piloto de avião, me faz declarações rasgadas de amor e diz que cuidará de mim quando eu for velhinha (a-ha, aqui está o real motivo desse post - deixar isso registrado para cobrá-lo no futuro! 😁).

Fato é que, se antes eu pedia para o tempo passar voando, agora peço justamente o contrário! Mas, dono de si que é, o tempo nem me dá bola... O que me resta é registrar nossos momentos para saber que um dia eu vivi toda essa delícia que só a maternidade e a "tianernidade" (desculpa, Guimarães Rosa, prometo melhorar nos neologismos!) nos proporcionam! 😍


sábado, 17 de março de 2018

Whiplash – o estalido do chicote


Não sei ao certo começar esse post. Fiz duas coisas hoje que marcaram meu dia. A primeira, às 9h da manhã, entrei na sala 15 da Escola Parque 308 sul para ter um reencontro, cerca de 20 anos depois, com o balé clássico. Sentir novamente cada músculo  do corpo que essa modalidade de dança exige é indescritível. Doía e era bom ao mesmo tempo. A dor faz parte da dança, é inevitável. E toda professora de balé que se preze é uma carrasca! Digo isso no melhor dos sentidos; é exigente, é persistente, não se contenta fácil. Ela quer de você a sua melhor versão bailarinística e, para isso, não poupará esforços.

Corta para as 16h da tarde deste mesmo sábado. Estava eu em casa e ‘solita’ (filhote saiu com papai para um programa “de meninos”) e pensei em aproveitar aquelas horas assistindo a um filme. Eis que recorro a uma dessas listas de filmes que rolam na internet do tipo “30 filmes imperdíveis para ver na Netflix” e me interesso por Whiplash – em busca da perfeição, dirigido por Damien Chazelle, sim, o mesmo de La La land.

Fazendo uma sinopse muito fajuta do filme, Whiplash conta a história de Neiman, um jovem baterista de jazz que sonha em ser uma lenda da música, e de sua relação com o professor Fletcher – um carrasco; só não sei se no melhor dos sentidos...

Fato é que fui totalmente abduzida durante os aproximadamente 107 minutos de filme! No sofá, diante da tela, eu me encolhia, mordia a boca, tapava a boca, curtia o som, emitia uns “putz”, fazia caretas. Era capaz de ouvir o estalido de um chicote imaginário zunindo próximo do meu ouvido. E quando o filme acabou, eu estava eufórica. Até porque o final é um toque de mestre! Só assistindo para saber! Digo mais, eu havia gostado de La La land, continuo gostando, mas entre Whiplash e o musical, sou mais Whiplash. (E olhe  que sou afeita à dança, logo o musical já teria uma vantagem inicial!) Mas Whiplash é impactante, fascinante, torturante, dilacerante, delirante e, para quebrar a rima, é intrincado.

E aí o que é que a gente faz quando gosta de um filme desse tanto? Conta pro universo! Ou conta pra quem a gente gosta. No segundo caso, dei um toque pro meu pai, que toca saxofone e adora jazz. Espero que ele goste do filme.

Pra terminar em uma frase: as cenas de Whiplash ficam ricocheteando na mente por horas.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Agradecer e poetar!


Gente, 
graças a vcs, "Coração de astronauta" tem me dado muita alegria! Por isso, não podia deixar de publicar meus agradecimentos aqui no blog e compartilhar uma poesia até então inédita, que bem poderia compor o livro, mas que já faz parte de outro projeto!
Confiram! 👇

O retorno

certa vez
um angolano anônimo
e desbocado
definiu o coração
do imigrante
(eu diria, do peregrino)
como um “saco de merda”
e desde então
nunca soube
o que é melhor
voltar ou ficar
mas de repente
a gente retorna
por um motivo qualquer
e embora eu não saiba
o que esperam de mim
estranham quem sou
e descubro ser a ida
um caminho sem volta
mas tirando o fato
de eu ter um saco fétido
regendo meu sangue
ainda sou eu
e, para o que importa,
nada mudou


(Obrigada a Camila Novais q, sem nem saber, me inspirou a escrever essa poesia com seu post "Seis anos imigrante".)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Trecho da poesia "Diagnóstico"

queimação 
na garganta
um frio 
na barriga
um aperto
no peito

se não for refluxo
pode ser amor

                         Márcia Knop

(Trecho da poesia "Diagnóstico", do livro Coração de astronauta.)

Para saber mais sobre o livro Coração de astronauta, consulte:

Como surgiu o livro Coração de astronauta?
Minibiografia da autora
Coração de astronauta


terça-feira, 18 de julho de 2017

Viva o Relâmpago McQueen!

“Sou mais do que rápido, mais do que veloz, eu sou a velocidade!” – essa é a frase que o Relâmpago McQueen repete para si mesmo antes de uma corrida. Um mantra para concentrar, motivar e manter a autoestima.

Que me desculpem todos os críticos da sequência Carros (e não tiro a pertinência das críticas), mas acabo de virar fã do fenômeno McQueen! E o motivo é nobre, pelo menos para mim. Já me explico: hoje, eu e meu filhote de 5 anos fomos ver Carros 3 e, pela primeira vez, ele assistiu a uma sessão de cinema do início ao fim, sem dormir e quase sem reclamar! Uma salva de palmas, por favor!

Quem conhece Gabriel, meu filho, sabe – ele nasceu engenheiro! Desde muito cedo, é vidrado em veículos de todos os tipos, e não é só isso. Gosta de ver o motor, as engrenagens, as correntes, as hélices, repara em tudo. Aos 2 anos, nos pediu de presente um caminhão betoneira; assim com essas palavras. Ele sabe os subtipos dos veículos, exemplo: caminhão betoneira, caçamba, tanque, truck, carreta baú... Sua cor preferida é, desde sempre, vermelho – não à toa é essa a cor do Relâmpago McQueen!

O mais engraçado: tanto eu quanto o papai somos da área de Humanas; nada entendemos desse universo motorizado, nem somos (ou nem éramos) minimamente encantados por ele. Mas Biel está despertando a nossa curiosidade, a minha principalmente. Crescida num meio em que os gêneros feminino e masculino tinham (ainda têm) papéis/gostos bem delimitados, não nego que esse universo me soa bastante masculino.

Coincidência ou não, apesar de rotulado por uns de genérico e superficial, Carros 3 traz, nas entrelinhas, essa reflexão sobre os gêneros, além de outras fundamentais: o quanto a autoestima é decisiva na vida, os limites da tecnologia, conflitos de gerações. Te pareceu raso?! A mim, não! Mas confesso, minha opinião sobre o filme é totalmente enviesada, como deixei bem claro no início desse post! Pois, quem sabe, eu deva a Carros 3 o gosto pelo cinema despertado em meu filho. Ainda é cedo para saber...

O melhor de tudo: embora eu nunca diga diretamente que quero que ele curta cinema (até para o efeito não ser exatamente o oposto), creio que criança sente... Então, terminada a sessão, enquanto caminhávamos em direção à saída, ele me olhou e disse: “mãe, eu consegui, tá vendo?!”. Como se soubesse que vê-lo assistir a uma sessão completa fosse, de alguma forma, importante para mim e motivo de orgulho. O que mostra que ele não é só um garoto “veloz e furioso”, mas cheio de ternura! 💗

Parece que foi ontem

Juro que, até outro dia, o "rapagão" na ponta esquerda da imagem acima cabia direitinho no meu colo e me chamava de tia ...